TESTEMUNHOS - Ana Carvalho - Academia de Música Santa Maria da Feira

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HISTÓRIA

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SABER HONRAR
A MEMÓRIA E O LEGADO
Ana Paiva Sá Carvalho | Neta de Gilberta Paiva e Professora na Academia

“Se é por ser na Vila da Feira, muda-se o nome à terra! Esta senhora, que nem é da Feira, propõe criar uma escola que vai engrandecer a vila, mas os senhores não a querem deixar!” Estas são as palavras de Domingos Caetano de Sousa no Ministério da Educação, o presidente da Câmara na Vila da Feira de 1955.
Gilberta Paiva, com grande amor e grande fé na terra onde habitava, decidiu lutar por um sonho: democratizar o ensino da música. Fê-lo, antes de mais, com a criação de uma escola, pioneira e modelar. E desejando abrir a todos as portas dessa escola, deslocou-se por diversas vezes a Lisboa de modo a concretizar outros sonhos:
1. Bolsas para alunos que de outra forma nunca poderiam ter prosseguido estudos;
2. Exames Oficiais na própria academia, evitando as deslocações dos alunos a Lisboa;
3. Cursos Superiores na própria academia, possibilitando a quem aí estudava a totalidade da sua formação;
4. Recrutamento dos mais competentes professores para a sua escola. Se esta era pobre – vinda alguma mobília da casa da própria directora – o que não poderia faltar era a melhor oferta educativa para os seus alunos.
À formação académica juntou a cultural: com a fundação de uma delegação da pró-arte, Vila da Feira podia ouvir os mesmos músicos que o público de Lisboa então ouvia.  
A Academia de Santa Maria foi, antes de mais, uma obra de amor e de enorme altruísmo. Valorizada a sua importância, foi calorosamente acolhida pelas entidades locais: a câmara municipal, através do seu presidente e até a igreja, estando o padre Manuel Reis - o senhor Vigário - entre os primeiros professores da Academia, leccionando a disciplina de português.
Sem vaidades, sem falsas modéstias: a Gilberta Paiva se deve a descentralização do ensino musical em Portugal, que começou precisamente aqui. E daqui a própria só sairia quando as vicissitudes da vida a isso a obrigaram.
Se não se deve, nem pode viver do passado, é também inegável a sua importância para a construção do futuro. Vila da Feira mudou de nome, cresceu, desenvolveu-se. Mais escolas se criaram, por todo o país. A sua Academia aqui continua. Que aqui possa sempre continuar, mantendo os mesmos propósitos que guiaram o seu nascimento: a formação pessoal, intelectual e musical de cidadãos informados e completos. Que a mesma chama que gerou a Academia possa continuar acesa em todos os elementos a ela directa ou indirectamente ligados: alunos, professores, elementos directivos, funcionários, pais, entidades locais.
A professora Gilberta Paiva, estou convicta, olha agora por nós e para nós.
Que saibamos todos, da melhor forma, honrar a sua memória e o seu legado!

 
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